MICRÓBIO E MICROBIOLOGIA

Em 1878, Charles Sedillot, um cirurgião francês, introduziu o termo micróbio durante uma discussão na academia de medicina em Paris. Sua intenção era criar um termo adequado para descrever um organismo vivo tão pequeno que só pudesse ser visualizado através do microscópio. Na sociedade científica o termo micróbio não ficou muito popular, tendo então dado origem ao termo microorganismo. Pasteur considerava também que o temo bacteriologia era muito limitado, e sugeriu que a nova ciência em desenvolvimento se chamasse microbiologia.

IGNAZ SAMMELWEIS

Um dos primeiros defensores do desenvolvimento de uma barreira aséptica foi o obstetra Húngaro Ignaz Sammelweis. Apesar de saber pouco sobre a causa de doenças causadas pelos germes, é importante reconhecermos que a asepsia pregada por um ponto de vista empírico, inquestionavelmente, salvou as vidas de muitas mulheres das garras da febre puerperal.

Em 1847, na maternidade de Viena, Sammelweis instituiu a regra de que todos os estudantes deveriam lavar suas mãos em uma solução clorídrica de limão e esfregar as suas unhas com uma escova antes de adentrar nas enfermarias ou iniciar exames internos nas pacientes. Com esta simples medida, a taxa de mortalidade em sua enfermaria foi reduzida de 18% em 1847 para 1,27% dos 3.556 pacientes em 1848. O marcante sucesso de Sammelweis na prevenção de febre nas parturientes, infelizmente o distanciou de seus colegas em Viena e Budapeste. A afirmação de que a sujeira das mãos dos médicos era responsável pela transmissão de doenças às pacientes, era uma afronta ao orgulho profissional, tornando sua posição insustentável. Em 1861 Sammelweis publicou “a causa e prevenção da febre puerperal”, mas ele não conseguiu convencer seus críticos da necessidade de lavar as mãos antes do contato com as pacientes puerperes.

A DESCOBERTA DA RESISTÊNCIA AO CALOR DA BACTÉRIA

A história da esterilização seria considerada incompleta, a menos que fosse dado o devido reconhecimento à descoberta das fases de resistência ao calor das bactérias. Por esta contribuição estamos em débito com o físico inglês John Tyndall. Em 1876 ele fez a sua entrada neste campo com uma série de pesquisas devotadas aos fenômenos da fermentação e da putrefação. Antes desta época Tyndall estava voltado para o problema dos germes e poeiras na atmosfera através de um feixe concentrado de luz que ele próprio desenvolveu, realizando uma série de testes para a detecção de matéria suspensa no ar e na água. Tyndall acreditava firmemente que os microorganismos presentes no ar estavam associados a partículas de poeira. Com o auxílio de uma engenhosa câmara de madeira equipada com uma frente e janelas laterais em vidro, através das quais era passado um feixe de luz, ele demonstrou que ar livre de poeira, que não espalhasse o feixe de luz não iniciaria o crescimento em tubos de infusão fervida expostos a ele.

Estudos seguintes realizados por Tyndall revelaram que infusões preparadas com feno velho e seco eram mais difíceis de serem esterilizadas por fervura do que aqueles preparados com feno fresco. Esta observação o levou a investigar extensivamente a resistência ao calor das bactérias. Através de inúmeros experimentos, Tyndall finalmente concluiu que em certos períodos na história da vida de organismos, estes desenvolvem fases de resistência ao calor nas quais fica mais difícil matá-los, mesmo com fervura prolongada. O estágio de resistência ao calor da bactéria, fase conhecida como esporo, também foi detectado por Pasteur e descoberto independentemente pelo botânico alemão Ferdinand Cohn, em 1876.

Fica claro, através das publicações de Tyndall, que o mesmo estava ciente da importância da umidade no crescimento e na destruição das bactérias. Sua análise da importância da transferência de vapor do líquido circundante para a célula da bactéria visando sua destruição é similar à teoria aceita atualmente.

Tyndall deu origem ao método de esterilização fracionada através do aquecimento intermitente. Este método foi originalmente desenvolvido como um meio prático de esterilizar infusões contendo formas de bactérias resistentes ao calor. O processo consistia no aquecimento de infusões até seu ponto de ebulição em cinco etapas consecutivas com intervalos apropriados de espera à temperatura ambiente. O propósito dos intervalos de espera entre os períodos de aquecimento era permitir o tempo suficiente para os esporos bacterianos resistentes mudarem, ou germinarem em um estágio vegetativo mais susceptível.

A esterilização fracionada, que mais tarde ficou conhecida como Tyndalização, foi a precursora do esterilizador por vapor sem pressão idealizado por Robert Koch e seus associados em 1880-1881. O processo de Tyndalização constituiu-se em um importante avanço no desenvolvimento de métodos práticos de esterilização. Sua utilidade e popularidade podem ser comprovadas pelo fato de, nos dias de hoje, este procedimento ser seguido por muitos laboratórios visando a esterilização de meios sensíveis ao calor por 30 minutos, em três dias consecutivos. Tyndall concluiu que na história de vida das bactérias podem haver duas fases distintas: Uma termo-sensível e outra incrivelmente termo-estável.


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